Ibovespa recua 0,31% sob pressão de Petrobras e dólar a R$5,37

Ibovespa recua 0,31% sob pressão de Petrobras e dólar a R$5,37

Larissa Marques out. 10 16

Quando Fernando Haddad, ministro da Fazenda comentou que o governo manteria os compromissos fiscais apesar da derrota na Câmara, o Ibovespa fechou em baixa de 0,31% nesta quinta‑feira, 9 de outubro de 2025, aos 141.708,19 pontos. A pressão veio das ações da Petrobras, que recuaram mais de 2%, e da cotação do dólar subindo 0,51% para R$ 5,37. O cenário externo, ainda, trazia a atenção de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, cujas próximas decisões poderiam mudar o ritmo da política monetária global.

Contexto político‑fiscal e a derrota da MP 1303

A queda do índice aconteceu logo após a Câmara dos Deputados aprovar, em 8 de outubro, um requerimento que retirou de pauta a Medida Provisória 1303 (MP 1303), proposta que buscava tributar aplicações financeiras para equilibrar as contas públicas em 2026. A medida, defendida pelo governo como necessária para cumprir a meta de déficit fiscal, encontrou resistência de bancários e de parte do congresso que temia impactos sobre o crédito e a poupança.

Mesmo com a derrota, Haddad afirmou que o Executivo não abrirá mão dos objetivos sociais e fiscais, sinalizando que o Bank of Brazil International (BBI) já avalia novas estratégias de arrecadação ou cortes de gastos. Segundo analistas do BBI, o mercado agora foca nas alternativas que o governo apresentará nas próximas semanas, principalmente antes da reunião do Comitê de Política Monetária (COPOM) marcada para 21‑22 de outubro.

Desempenho do Ibovespa e principais ações do dia

O Fechamento do IbovespaSão Paulo começou otimista, com o índice ultrapassando a marca dos 142.800 pontos nos primeiros minutos, impulsionado por indicadores inflacionários brasileiros abaixo das expectativas (IPCA). Porém, a confiança evaporou quando as petroleiras, lideradas pela Petrobras, reagiram a notícias de notícias de possíveis revisões nos preços de combustíveis.

Entre os papéis que mais caíram, destacou‑se a Brava (BRAV3), que recuou 5,09%. Por outro lado, a WEG (WEGE3) brilhou com alta de 4,79%, refletindo otimismo no setor de equipamentos industriais. Um movimento inesperado veio da aviação: a Azul Linhas Aéreas (AZUL4) subiu 17% ao anunciar o fim da negociação de fusão com a Gol, que também registrou alta de 5%.

Reação do mercado externo e o papel do dólar

Reação do mercado externo e o papel do dólar

Enquanto o índice brasileiro perdia terreno, os principais índices dos EUA mostraram recuo discreto: o S&P 500 fechou em queda de 0,28% (6.735,11 pontos) e o Nasdaq recuou 0,08% (23.024,63 pontos). Mesmo com a notícia do fim da guerra no Oriente Médio, os investidores ainda permaneciam cautelosos, aguardando os discursos de Powell sobre inflação versus proteção ao mercado de trabalho.

O dólar comercial ficou em R$ 5,37, pressionando ainda mais os resultados das exportadoras e dos setores que dependem de insumos importados. Em outubro, o real tem se depreciado gradualmente, refletindo a combinação de incertezas políticas internas e a expectativa de um aperto monetário nos EUA.

Perspectivas e próximos passos para a economia brasileira

  • Reunião do COPOM em 21‑22 de outubro: expectativa de manutenção da taxa Selic em 13,75% ou pequeno ajuste.
  • Possíveis medidas fiscais: novos mecanismos de arrecadação, corte de gastos operacionais ou revisão de benefícios fiscais.
  • Impacto da MP 1303 retirada: aumento da volatilidade nas ações de bancos e corretoras nos próximos dias.
  • Monitoramento do dólar: níveis acima de R$ 5,40 podem pressionar ainda mais a inflação importada.

Especialistas do BBI alertam que, se o governo não apresentar um plano sólido até o fim de outubro, a confiança dos investidores pode deteriorar, provocando maior saída de capital e pressão sobre o Ibovespa nos demais meses do trimestre.

Análise de especialistas e opinião de mercado

Análise de especialistas e opinião de mercado

De acordo com a economista-chefe da XP Investimentos, Ana Lúcia Pereira, "a combinação de incerteza fiscal interna e a política monetária dos EUA cria um cenário de alta volatilidade que favorece ativos seguros, como ouro e títulos do tesouro americano, em detrimento das ações de risco no Brasil".

Já o analista de energia da Bloomberg Linea, Carlos Mendes, ressalta que "a queda da Petrobras pode ser temporária, pois o preço do barril de petróleo está em tendência de alta após a retomada da produção em alguns campos offshore".

Para os investidores de varejo, a mensagem é clara: acompanhar de perto os desdobramentos políticos e a agenda do Banco Central será fundamental para decidir entre permanecer em posições de renda variável ou migrar para instrumentos de renda fixa mais conservadores.

Perguntas Frequentes

Como a queda da MP 1303 afeta os investidores?

A retirada da MP 1303 impede a implementação de um novo imposto sobre aplicações financeiras, o que levanta dúvidas sobre como o governo compensará a perda de receita. Até que haja um plano alternativo, investidores podem esperar mais volatilidade nos papéis bancários e nas ações de consumo, pois o mercado ainda busca clareza sobre a política fiscal.

Por que o dólar continua subindo apesar da queda dos índices norte‑americanos?

Mesmo com quedas modestas nos índices dos EUA, o dólar se beneficia da expectativa de que o Federal Reserve mantenha ou eleve a taxa de juros para conter a inflação. Essa perspectiva atrai capital para o ativo, elevando seu preço frente ao real, que já enfrenta pressões internas.

Quais setores devem se beneficiar se o COPOM mantiver a Selic?

Setores de consumo interno e varejo tendem a se beneficiar, pois a taxa alta desestimula o crédito, mas também protege o poder de compra dos consumidores que dependem de renda fixa. Já o setor de construção pode sofrer por custos de financiamento mais elevados.

O que esperar da Petrobras nos próximos dias?

Analistas acreditam que a ação da Petrobras pode se estabilizar se os preços internacionais do petróleo permanecerem acima de US$ 80 por barril. No entanto, qualquer mudança na política de preços domésticos ou em projetos de exploração pode gerar novos movimentos.

Qual o impacto das negociações de fusão entre Azul e Gol?

O fim da negociação trouxe alívio ao mercado de aviação, permitindo que ambas as companhias foquem em estratégias independentes. A Azul viu sua ação disparar 17% devido ao otimismo de investidores que acreditam em novos planos de expansão sem a complexidade de uma fusão.

Comentários (16)
  • Davi Gomes
    Davi Gomes 10 out 2025

    O Ibovespa perdeu 0,31% na quinta, pressionado pela Petrobras e pelo dólar.

  • Luana Pereira
    Luana Pereira 15 out 2025

    A retirada da MP 1303 gera incerteza fiscal, dificultando a arrecadação de recursos. Ainda assim, é imprescindível observar o impacto nas ações bancárias.

  • Francis David
    Francis David 21 out 2025

    Concordo que a queda da Petrobras reflete a volatilidade do preço do barril. O mercado também está atento à decisão do COPOM, que pode mudar a curva de juros. Se a Selic permanecer alta, o crédito ao consumo ficará mais caro. Isso pode frear o consumo interno e agravar a queda do índice.

  • José Cabral
    José Cabral 27 out 2025

    É fundamental manter a diversificação para mitigar riscos de curto prazo.

  • Maria das Graças Athayde
    Maria das Graças Athayde 2 nov 2025

    👀 A situação do real contra o dólar realmente preocupa quem investe em importadoras. 😕 É preciso acompanhar a política monetária dos EUA e o discurso do Powell para entender a direção do câmbio.

  • Carlos Homero Cabral
    Carlos Homero Cabral 8 nov 2025

    Vamos juntos! Acreditar que a bolsa pode se recuperar é essencial!!! Mesmo com a queda, há oportunidades na WEG e na Azul! 🚀

  • Andressa Cristina
    Andressa Cristina 13 nov 2025

    Essa volatilidade tá parecendo um montanha‑russo 🎢, mas ainda dá pra surfar na onda das ações que subiram, tipo a Gol que ainda está firme 🌊.

  • Shirlei Cruz
    Shirlei Cruz 19 nov 2025

    A análise dos indicadores macroeconômicos indica que a inflação está sob controle, porém o risco cambial permanece elevado.

  • caroline pedro
    caroline pedro 25 nov 2025

    A retirada da MP 1303 trouxe à tona uma série de questões que vão além da simples arrecadação de recursos.
    Primeiramente, os investidores bancários sentem uma pressão maior para buscar alternativas de lucro em meio à instabilidade fiscal.
    Em segundo lugar, o eixo real‑dólar continua sendo o termômetro principal para avaliar a viabilidade de projetos de infraestrutura.
    Além disso, a política monetária dos Estados Unidos, ao manter taxas altas, cria um ambiente de fuga de capital dos mercados emergentes.
    Esse cenário favorece ativos considerados refúgio, como o ouro e os títulos do Tesouro americano, em detrimento das ações de risco.
    No âmbito doméstico, a manutenção da Selic em 13,75% pode conter a inflação, mas também encarece o crédito para empresas.
    A alta dos juros torna menos atrativo o financiamento de expansões, sobretudo nos setores de construção e varejo.
    Por outro lado, empresas com forte geração de caixa, como a WEG, podem tirar proveito da alta de juros ao oferecer melhores rendimentos aos acionistas.
    A Petrobras, ainda que em baixa, tem fundamentos sustentados por preços internacionais de petróleo em tendência de alta.
    A expectativa de estabilização dos preços do barril pode reverter a pressão descendente sobre as ações da companhia.
    A Azul, ao romper a fusão com a Gol, demonstra que estratégias de crescimento orgânico ainda são viáveis no setor aéreo.
    Investidores que acompanham de perto as decisões do COPOM terão vantagem ao posicionar suas carteiras antes dos anúncios.
    É imprescindível monitorar o calendário de divulgação de indicadores como IPCA e PPI, que influenciam as expectativas de política monetária.
    A combinação de incerteza fiscal interna e a cautela externa cria um ambiente propício para estratégias de hedge, como contratos futuros de dólar.
    Em suma, a diversificação entre setores menos sensíveis ao câmbio e a alocação parcial em ativos de renda fixa podem oferecer proteção contra a volatilidade esperada nos próximos meses.

  • Raif Arantes
    Raif Arantes 1 dez 2025

    A parada tá sinistra, o dólar bombando e a Petrobras nas trincheiras, parece conspiração do Fed pra nos deixar sem grana!

  • Sandra Regina Alves Teixeira
    Sandra Regina Alves Teixeira 6 dez 2025

    Vamos virar esse jogo! Se a gente focar nas oportunidades, a queda pode ser só um detalhe. 💪

  • Maria Daiane
    Maria Daiane 12 dez 2025

    A adoção de instrumentos de renda fixa de curto prazo pode melhorar a alocação de risco‑retorno, especialmente diante da volatilidade do Ibovespa.

  • Jéssica Farias NUNES
    Jéssica Farias NUNES 18 dez 2025

    Claro, porque mudar a política fiscal resolve tudo, né? Só falta o universo conspirar a nosso favor.

  • Elis Coelho
    Elis Coelho 24 dez 2025

    Os números mostram que o real está sobrevalorizado se comparado ao poder de compra interno. Não há dúvidas.

  • Camila Alcantara
    Camila Alcantara 30 dez 2025

    Brasil não precisa seguir a manada americana, nossas políticas podem ser diferentes e ainda assim dar certo!

  • Lucas Lima
    Lucas Lima 4 jan 2026

    É realmente interessante observar como o mercado reagiu à combinação de fatores internos e externos.
    A decisão do governo de abandonar a MP 1303 deixou muitos analistas cautelosos.
    Ao mesmo tempo, o movimento do dólar para R$5,37 pressiona setores que dependem de importação.
    O cenário futuro dependerá muito da postura do COPOM nas próximas semanas.
    Se a taxa Selic for mantida, podemos esperar um fortalecimento da renda fixa, o que atrairá investidores mais conservadores.
    Por outro lado, empresas com boa geração de caixa, como a WEG, ainda poderão apresentar boas performances mesmo em ambiente de alta de juros.
    A Azul, ao romper a fusão, demonstra que há espaço para estratégias independentes no setor de aviação.
    A diversificação continua sendo a melhor estratégia para quem deseja se proteger da volatilidade inesperada.
    Portanto, mantenha os olhos abertos e ajuste sua carteira conforme as notícias evoluem.

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