STF inicia julgamentos do suposto plano de golpe e marca novo capítulo judicial

STF inicia julgamentos do suposto plano de golpe e marca novo capítulo judicial

Larissa Marques set. 27 12

O STF começou a ouvir casos ligados ao que a Procuradoria‑Geral da República (PGR) chama de “plano de golpe” elaborado durante a gestão de Jair Bolsonaro. A primeira instância do Tribunal agendou sessões de julgamento para o Núcleo 4 nos dias 14, 15, 21 e 22 de outubro de 2025, logo depois que o ministro Alexandre de Moraes finalizou a fase de instrução e enviou o processo para análise colegiada.

Núcleo 4: militares acusados de organizar desinformação

O Núcleo 4 reúne sete réus, em sua maioria oficiais das Forças Armadas, que, segundo a PGR, comandaram operações de desinformação para espalhar notícias falsas sobre o pleito eleitoral de 2022 e promover ataques virtuais contra instituições e autoridades. Entre os acusados estão o major Ailton Gonçalves Moraes Barros, o major Angelo Martins Denicoli, o subtenente Giancarlo Gomes Rodrigues, o tenente‑coronel Guilherme Marques de Almeida, o coronel Reginaldo Vieira de Abreu, o policial federal Marcelo Araújo Bormevet e Carlos Cesar Moretzsohn Rocha, presidente do Instituto Voto Legal.

O Ministério Público argumenta que esses agentes criaram uma rede de bots e contas falsas nas redes sociais, manipulando a percepção pública e tentando minar a confiança no resultado das urnas. Documentos apresentados nas audiências apontam para trocas de mensagens que coordenavam a produção de conteúdos falsos e a difusão de teorias conspiratórias.

Núcleo 2: presença reduzida de testemunhas e acusações contra ex‑aide de Bolsonaro

Núcleo 2: presença reduzida de testemunhas e acusações contra ex‑aide de Bolsonaro

Em paralelo, as audiências do Núcleo 2 revelaram outro cenário: apenas cinco das vinte testemunhas de defesa compareceram. Entre elas, o coronel Marcelo Câmara, ex‑aide‑de‑campa de Bolsonaro, foi interrogado sobre suposta coordenação de monitoramento e neutralização de autoridades públicas por meio de uma estrutura paralela de espionagem.

O baixo comparecimento gerou críticas da defesa, que alegou dificuldades logísticas e intimidação. Ainda assim, o Tribunal seguiu com os depoimentos, reforçando a seriedade com que está tratando cada uma das fases do processo.

Esses avanços ocorrem depois que o Primeiro Conselho do STF, em votação 4 a 1, condenou Jair Bolsonaro e sete aliados por crimes de golpe, marcando a primeira punição de um ex‑presidente brasileiro por esse tipo de delito. A decisão já gerou reações tensas no Congresso, entre partidos de oposição e apoiadores do ex‑mandatário, que questionam a imparcialidade do Judiciário.

O cenário atual indica que o STF pretende avançar rapidamente nas próximas etapas, com os julgamentos dos demais núcleos previstos para os próximos meses. Advogados de defesa continuam pedindo dilação de prazos e revisão de provas, enquanto a PGR enfatiza a necessidade de fortalecer a democracia contra tentativas de subversão.

Comentários (12)
  • Bruno Marek
    Bruno Marek 29 set 2025
    Já vi tudo isso antes. A justiça só age quando o vento muda de direção.
  • Vitor Coghetto
    Vitor Coghetto 1 out 2025
    Cara, esse Núcleo 4 é um verdadeiro laboratório de desinformação organizada... os caras tinham um playbook completo: bots, contas falsas, grupos no Telegram, até memes com o Haddad como 'candidato da China'... e tudo isso com logística de quartel! Os e-mails entre os militares são uma loucura - um deles até pediu 'ajuda de um influencer' pra espalhar que a urna era 'falsa'... e isso não é teoria da conspiração, é prova documental, com assinatura e tudo! A PGR tá com o jogo limpo, e o STF tá fazendo o trabalho que a política não tem coragem de fazer... isso aqui é o fim de uma era, e não um julgamento comum.
  • Ivan Borges
    Ivan Borges 1 out 2025
    Este é o momento de resiliência institucional! A democracia brasileira está sendo testada em sua arquitetura constitucional, e o STF está atuando como o pilar de contenção contra a erosão autoritária. A operação de desinformação configurou um ataque assimétrico à soberania popular - e a resposta jurídica é proporcional, legítima e historicamente necessária.
  • Daniel Vedovato
    Daniel Vedovato 1 out 2025
    O que estamos presenciando... é o colapso da ordem democrática, não a sua defesa. Um tribunal, que já se transformou em um tribunal político, julgando um ex-presidente por 'pensamentos'... e agora, os militares? Por que não julgam os que invadiram o Congresso em 2023? Onde está a isonomia? Onde está a justiça, ou só há justiça para quem não tem poder?
  • Sonne .
    Sonne . 3 out 2025
    Essa história toda é tipo um reality show onde o vilão é o ex-presidente e os heróis são os juízes... mas ninguém lembra que o público também tá cheio de palhaços.
  • Bebel Leão
    Bebel Leão 4 out 2025
    É curioso como a gente só valoriza a democracia quando ela nos protege... mas quando ela nos desafia, aí é 'golpe', 'perseguição', 'distorção'... 🤔 Será que a liberdade não é também aceitar que o outro pode vencer?
  • Cristiano Siqueira
    Cristiano Siqueira 5 out 2025
    Eu acho que o importante aqui é não cair na armadilha de escolher lado. A justiça precisa ser feita, mas também precisa ser vista como justa. Se o STF quer manter a credibilidade, tem que ser impecável - sem excessos, sem vitórias políticas, só direito. E os militares? Eles são parte do sistema, não inimigos. O caminho é reeducar, não punir só por cargo.
  • Luan Henrique
    Luan Henrique 7 out 2025
    A atuação do Supremo Tribunal Federal representa um marco histórico na consolidação do Estado de Direito no Brasil. A responsabilização de agentes públicos por atos que visam subverter a ordem democrática é não apenas legal, mas moralmente indispensável. A sociedade brasileira merece transparência, segurança jurídica e a preservação das instituições.
  • Déborah Debs
    Déborah Debs 7 out 2025
    A gente vive num país onde o povo vota, mas quem manda é quem controla o narrativo... e agora, finalmente, alguém tá tentando cortar a cabeça da serpente. Não é perfeito, mas é o que temos. E talvez... talvez isso seja o começo de algo que não é só justiça, mas cura.
  • Thaís Fukumoto Mizuno
    Thaís Fukumoto Mizuno 8 out 2025
    eu acho que se os cara tiveram tempo pra montar uma rede de bot e tudo mais... talvez a gente também deva olhar pro que a gente compartilha no whatsapp... pq se eu tô mandando aquilo sem checar... eu também tô na mesma história... só que sem o uniforme...
  • Gabriel Bressane
    Gabriel Bressane 8 out 2025
    Tá tudo bem, mas e o Lula? E os milhões que sumiram do fundo eleitoral? E os cartões de crédito do PT? Onde tá a mesma energia pra isso? Ah, porque não é conveniente.
  • Bruno Marek
    Bruno Marek 9 out 2025
    Se o STF quer ser imparcial, começa por julgar os que roubaram com a mesma intensidade que julgam os que mentiram.
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