Intoxicação por metanol em SP: 9 casos, 2 mortes e alerta nacional

Intoxicação por metanol em SP: 9 casos, 2 mortes e alerta nacional

Larissa Marques set. 28 9

Quando homem de 54 anos, residente da região da Mooca/Aricanduva, na Zona Leste, sentiu fortes dores de cabeça e cãibras após consumir uma bebida alcoólica, o diagnóstico de intoxicação por metanol foi confirmado apenas depois de sua morte em 15 de setembro. A Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo divulgou no sábado, 27 de setembro de 2025, que ao todo foram registrados nove casos de intoxicação por metanol em bebidas adulteradas nos últimos 25 dias, com duas vítimas fatais – uma em São Paulo e outra em São Bernardo do Campo.

Contexto da crise e histórico de intoxicações

Intoxicações por metanol não são novidade no Brasil, mas o ritmo atual está longe do padrão. Desde junho de 2025, seis casos já haviam sido confirmados, dois deles resultando em óbito. O que chama atenção, segundo o Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo, é a concentração dos episódios em um curto intervalo, o que indica um possível lote contaminado ou rede de falsificadores atuando simultaneamente.

O metanol, um álcool industrial, pode ser usado para “fortalecer” bebidas de baixa qualidade, simulando maior teor alcoólico. Quando ingerido, ele se converte em formaldeído e ácido fórmico, provocando cegueira, insuficiência renal e, em doses elevadas, a morte.

  • Junho‑2025: 6 casos registrados.
  • Setembro‑2025 (primeiros 25 dias): 9 casos, 2 mortes.
  • Regiões mais afetadas: Mooca/Aricanduva (SP) e São Bernardo do Campo (ABC).

Detalhes dos casos confirmados

A primeira vítima fatal foi o homem de 54 anos que começou a sentir sintomas em 9 de setembro e faleceu oito dias depois. A segunda morte ocorreu em um paciente atendido no Hospital de Urgência de São Bernardo do Campo, ainda sem confirmação laboratorial, mas com forte suspeita de contaminação por metanol.

Além dos óbitos, dez pessoas continuam sob investigação, apresentando náuseas, visão turva e dor abdominal após consumir bebidas supostamente “premium”. O padrão de consumo aponta para gin e cachaças adquiridos em adegas informais da Cidade Dutra.

Reações das autoridades e medidas emergenciais

A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e o Conselho Nacional de Combate à Pirataria e Delitos contra a Propriedade Intelectual (CNCP) emitiram nota técnica pedindo que bares, restaurantes, casas noturnas, hotéis, mercados, atacarejos, distribuidores, plataformas de e‑commerce e aplicativos de entrega adotem procedimentos rigorosos de rastreabilidade.

Entre as recomendações: comprar somente de fornecedores com CNPJ ativo, conferir nota fiscal eletrônica e validar a chave de segurança na Receita Federal; recusar garrafas com lacre violado, rótulos desalinhados ou sem lote legível; e implementar duplo controle de qualidade antes da revenda.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos, recebeu notificação via Sistema de Alerta Rápido e classificou os episódios como “fora do padrão”. A Polícia Civil de São Paulo já iniciou coleta de depoimentos, especialmente de jovens internados após consumir gin suspeito na Cidade Dutra.

Impacto no comércio de bebidas e orientações ao consumidor

Impacto no comércio de bebidas e orientações ao consumidor

Com a disseminação das recomendações, estabelecimentos têm revisto seus processos de compra. Muitos proprietários relataram aumento nos custos ao optar por fornecedores certificados e pela necessidade de verificações adicionais. Contudo, a medida parece estar reduzindo o fluxo de produtos potencialmente adulterados.

Para quem pretende comprar bebida alcoólica, os órgãos alertam sobre sinais de alerta: preço muito abaixo da média de mercado, lacres ausentes ou danificados, rótulos com impressão ruim, e ausência de informação sobre fabricante e importador. Caso apresente sintomas como visão embaçada, dor abdominal intensa ou dificuldade respiratória após a ingestão, procure imediatamente unidade de saúde.

Próximos passos e investigação em curso

A investigação ainda não identificou a origem exata das garrafas contaminadas. A Polícia Civil segue analisando rotas de distribuição e rastreando fornecedores que operam sem regularização. Espera‑se que, nas próximas duas semanas, sejam divulgados resultados de exames laboratoriais que confirmarão a presença de metanol nas amostras recolhidas.

Enquanto isso, a São Paulo mantém um canal telefônico gratuito para denúncias e dúvidas sobre adulteração de bebidas. O objetivo é proteger o consumidor e desestimular práticas criminosas que colocam vidas em risco.

Perguntas Frequentes

Como identificar se uma bebida está adulterada com metanol?

Fique atento a preços muito baixos, lacres violados, rótulos com impressão ruim ou sem informações de lote. Se a bebida tem aroma ou sabor estranho, ou se o fornecedor não apresenta nota fiscal, desconfie. Em caso de sintomas como visão turva ou dor abdominal após o consumo, procure unidade de saúde imediatamente.

Quantas pessoas foram afetadas até agora?

Nove casos confirmados de intoxicação por metanol foram registrados nos últimos 25 dias, com duas mortes confirmadas. Dez casos adicionais ainda estão sob investigação, totalizando 19 possíveis vítimas.

Qual o papel da Senacon e do CNCP nessa situação?

A Senacon e o CNCP emitiram nota técnica com recomendações para estabelecimentos que comercializam bebidas alcoólicas, exigindo comprovação de origem, fiscalização de lacres e rastreabilidade. As medidas visam impedir a circulação de produtos adulterados e proteger o consumidor.

O que a Polícia Civil está investigando?

A polícia está colhendo depoimentos de vítimas, testemunhas e comerciantes, rastreando fornecedores suspeitos, e analisando amostras laboratoriais para identificar a procedência das garrafas contaminadas. O foco é desmantelar a rede de falsificadores que adicionam metanol às bebidas.

Quais são as consequências legais para quem comercializa bebidas adulteradas?

A lei brasileira prevê pena de até quatro anos de reclusão e multa para quem produz, distribui ou vende bebidas contendo substâncias tóxicas como o metanol. As investigações podem levar à apreensão de estoques, bloqueio de contas e processos civis por danos aos consumidores.

Comentários (9)
  • Mirian Aparecida Nascimento Bird
    Mirian Aparecida Nascimento Bird 30 set 2025

    Essa situação é terrível, mas é importante lembrar que ninguém morre por acaso - sempre tem uma cadeia de falhas por trás. Se cada estabelecimento fizesse a checagem básica de nota fiscal e lacre, muitas dessas mortes seriam evitadas. A gente precisa de mais educação e menos pressa na hora de comprar bebida. Não é só questão de lei, é de humanidade.

    Se vocês forem em uma adegueira na Cidade Dutra e o preço for metade do mercado, desconfiem. Não vale a pena correr o risco de perder a visão ou a vida por um copo barato.

  • jeferson martines
    jeferson martines 30 set 2025

    Ah, claro. Mais uma crise de metanol. O Brasil é o único país onde o álcool industrial é mais barato que o etanol de cana. O que não é dito é que a fiscalização é uma piada. Enquanto o governo gasta milhões em campanhas de ‘beba com moderação’, ninguém pega quem realmente enche garrafas com veneno. A culpa é do consumidor? Não. A culpa é da indiferença sistêmica.

    Se vocês acham que isso é isolado, estão enganados. É o mesmo modelo usado com remédios, leite e até água mineral. A máfia não precisa de armas - só de um CNPJ falso e um pouco de negligência.

  • Tereza Kottková
    Tereza Kottková 1 out 2025

    Os dados oficiais são manipulados. O número de casos reais é muito maior - provavelmente entre 40 e 60 casos não declarados, já que hospitais públicos não têm capacidade de realizar exames de cromatografia em tempo hábil. O que é divulgado é apenas a ponta do iceberg. A Senacon e o CNCP agem como se isso fosse um problema de compliance, mas na verdade é um crime organizado com ligação direta a redes de importação ilegal de álcool industrial da Bolívia e Paraguai.

    As garrafas não são adulteradas localmente - são envasadas em laboratórios clandestinos com equipamentos de última geração, com rótulos impressos em impressoras de alta resolução. O sistema de rastreabilidade é uma farsa. A chave de segurança da Receita pode ser clonada em minutos com software de baixo custo. Isso é guerra química contra a população pobre.

  • Paulo Ferreira
    Paulo Ferreira 1 out 2025

    metanol é só o começo... eles já estão colocando glicol etileno nas cachaças pra dar mais corpo... e ninguém fala disso... porque o governo precisa do álcool pra arrecadar... e a polícia tá ocupada com ladrão de celular... e a gente fica bebendo e morrendo sem saber por quê...

    quem quer saber se a garrafa tem lacre ou não... se o preço tá bom... e o gosto tá forte... a gente quer esquecer... não quer entender... só quer beber... e morrer em silêncio...

    isso não é crime... é o sistema funcionando

  • Victor Costa
    Victor Costa 3 out 2025

    Com todo o respeito, mas essa cobertura midiática é exagerada e emocionalmente manipuladora. O metanol sempre existiu, e o consumo de bebidas adulteradas é um comportamento de risco, não uma falha do Estado. As pessoas que compram bebidas em adegas informais sabem que estão correndo riscos. O Estado não é responsável por proteger quem escolhe ignorar sinais óbvios.

    Se você quer garantia de qualidade, compre em supermercados. Se quer economizar, aceite as consequências. Não se pode criminalizar a escolha alheia sob o discurso da ‘proteção ao consumidor’. Isso é paternalismo disfarçado de ética.

  • Edna Kovacs
    Edna Kovacs 4 out 2025

    eu comprei um gin na Cidade Dutra semana passada por 28 reais... não tinha lacre... mas o cheiro era normal... e o gosto... foi até bom... agora fico pensando se tô vivo por sorte ou por milagre...

    quem me dera se tivesse um app pra escanear garrafa e saber se tá contaminada... tipo o que faz com o código de barras... mas não tem... porque não interessa pra ninguém

  • Avaline Fernandes
    Avaline Fernandes 5 out 2025

    Os dados da Secretaria de Saúde são claros: 9 casos confirmados, 2 óbitos, 10 sob investigação. A análise epidemiológica mostra um padrão espacial e temporal consistente com a distribuição de um único lote contaminado. A concentração geográfica em Mooca e São Bernardo do Campo sugere um ponto de origem logístico comum, provavelmente um centro de distribuição não regulamentado.

    É fundamental que os estabelecimentos adotem protocolos de verificação documental e física, conforme orientado pela Senacon. A ausência de nota fiscal eletrônica ou de lacre intacto deve ser tratada como um indicador de risco classificado como alto. A responsabilidade compartilhada é o único caminho viável para mitigar esse tipo de emergência de saúde pública.

  • Joseph Horton
    Joseph Horton 7 out 2025

    Se alguém te oferecer uma bebida por metade do preço, e você aceita... não é só sobre dinheiro. É sobre desespero. É sobre quem não tem opção. Não é irresponsabilidade. É sobrevivência.

    Essa crise não é sobre bebidas. É sobre quem é deixado pra trás. E o pior é que ninguém quer ver isso.

  • Alexsandro da Silveira
    Alexsandro da Silveira 7 out 2025

    Se o governo quer mesmo acabar com isso, fecha as adegas informais. Mas não vai fazer isso, porque elas dão voto. E os políticos não vão perder voto por causa de um monte de pobre que morre de metanol. É só mais um número no relatório. Enquanto isso, a polícia fica procurando o ‘lote contaminado’ como se fosse um produto da Amazon. A verdade? É um mercado negro que existe desde os anos 80. E ninguém tem coragem de apagar ele.

    Se você quer segurança, não vá lá. Mas não venha me dizer que é só questão de fiscalização. É questão de classe.

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